Jornal: A Gazeta
Editoria: Economia
Título: Destaque para compras em supermercados
Pág.: 13
Autoria: Milena Murta
Acesso online: Assinantes
Um outro setor em que os cheques de alto valor são bastante emitidos é o de supermercados. As volumosas compras do mês são responsáveis por grande parte desta forma de pagamento.
“Muitas redes fazem promoções com cheques pré-datados, atraindo o consumidor. Acaba sendo bom para todos”, disse o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider.
Ele acredita que com menores taxas de juros para os clientes e evitando a taxa de administração cobrada pelas operadoras para os lojistas, os cheques acabam sendo um bom negócio para as duas partes. “O cheque não tem custo adicional”, ressaltou.
Schneider também destacou que os supermercados passaram a investir em segurança para evitar a inadimplência com este tipo de pagamento. “Hoje as lojas exigem que o consumidor faça um cadastro prévio, com todas as informações dele. Assim diminui-se a chance de calote”, explicou.
De acordo com o diretor administrativo financeiro da Rede Extrabom, Emílio Carlos Piccin, não foi percebido um aumento do valor médio dos cheques emitidos pelos consumidores.
“Não observamos isso, e, pelo contrário, acho que o uso do chamado dinheiro plástico, o cartão de crédito tem aumentado”, disse. Para ele o cartão além de mais confortável, é também mais seguros.
Matéria completa:
O Espírito Santo é o Estado que têm o maior valor médio de cheques emitidos no comércio da Região Sudeste. Em setembro, o gasto com cada compra paga pelos capixabas com cheques foi de R$ 224,00, enquanto que a média nacional é de R$ 158,00.
O estudo foi realizado pela Telecheque e divulgado nesta semana. No ranking nacional o Estado fica em 5º lugar, atrás do Maranhão, Amazonas, Alagoas e Pará. Esta colocação, aliás, se mantém nos últimos três meses. Em julho o valor médio dos cheques emitidos no estado ficou em R$ 223,36, subindo para R$ 224,00 em agosto e mantendo o mesmo índice em setembro.
De acordo com a diretora regional da Telecheque, Evelyse Gonçalves, os segmentos onde os cheques são passados exigem créditos mais elevados, e, como as taxas de juros são menores em cheques, a população está aderindo a este tipo de pagamento.
“Concesionárias automotivas, lojas de autopeças e eletroeletrônicos são alguns dos setores onde estes cheques não passados. São produtos caros e o consumidor prefere pagar da forma que tem a menor taxa de juros”, disse.
Outro ponto destacado pela diretora é o fato de o cheque não ter anuidade e nem “data boa” para fazer as compras. “São detalhes que os consumidores estão levando em consideração na hora de optar entre comprar com o cartão de crédito ou com o cheque”, acrescentou.
Evelyse lembra também que a expectativa é de que o valor médio do cheque aumente mais ainda. “As compras de natal estão chegando. É um período onde as pessoas aproveitam para comprar bens de valor maior, apostando numa renda a mais, como o décimo terceiro”, explicou.
Preocupação. Para o diretor do serviço de proteção ao crédito (SPC) da Câmara dos Dirigentes e Lojistas (CDL) de Vitória, Carlos Marianelli, o aumento do valor médio dos cheques pode ser explicado também pelo incentivo que muitos comerciantes estão oferecendo para as compras com esta forma de pagamento.
“Os comerciantes estão tentando fugir das taxas de administração do cartão, cobradas pelas operadoras, que são bastante onerosas. Com o cheque não tem isso”, disse Marianelli destacando a facilidade de compensação do cheque.
Mas Marianelli afirma também que, para não terem prejuízos, lojas e bancos estão aumentando o rigor para aceitar os cheques. “Isso faz com que as pessoas usem mais racionalmente. Para não pagar mais taxas, por exemplo, a de emissão de cheques de baixo valor, não é em qualquer compra que o consumidor usa essa forma de pagamento”, disse ele.
O diretor da CDL acredita que o potencial dos cheques tende a aumentar por causa do bom momento da economia capixaba. “O poder aquisitivo das pessoas está aumentando, e conseqüentemente, o consumo”, completou.
Evolução do Espírito Santo
Estado
Valor médio dos cheques
Julho 2006
R$ 203
Agosto 2006
R$ 209
Junho 2007
220,39
Estado
Valor médio dos cheques
Julho 2007
R$ 223
Agosto 2007
R$ 224
Setembro 2007
R$ 224
Estados que emitem cheques de maior valor
Estado
Valor médio dos cheques
Maranhão
R$ 356
Amazonas
R$ 348
Alagoas
R$ 296
Pará
R$ 251
Espírito Santo
R$ 224
Ceará
R$ 214
Estado
Valor médio dos cheques
Bahia
R$ 199
Mato Grosso
R$ 186
Pernambuco
R$ 181
Minas Gerais
R$ 166
Média Nacional
R$ 158
Parcelamento maior
Opção. Para a vendedora Dirlene Moreira Mattos, o cheque é a melhor opção nas compras de alto valor. “O cheque compensa mais por causa das taxas de juros, que são mais baixas”, disse. Ela conta que até tem cartões de crédito, mas é com o cheque consegue se controlar mais. “As lojas também fazem boas promoções, às vezes. Eu sempre aproveito para comprar roupas e pago com cheque pré-datado”, explicou. Dirlene lembrou também que, por causa da inadimplência, algumas lojas preferem não aceitar o cheque como forma de pagamento.
Destaque para compras em supermercados
Um outro setor em que os cheques de alto valor são bastante emitidos é o de supermercados. As volumosas compras do mês são responsáveis por grande parte desta forma de pagamento.
“Muitas redes fazem promoções com cheques pré-datados, atraindo o consumidor. Acaba sendo bom para todos”, disse o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider.
Ele acredita que com menores taxas de juros para os clientes e evitando a taxa de administração cobrada pelas operadoras para os lojistas, os cheques acabam sendo um bom negócio para as duas partes. “O cheque não tem custo adicional”, ressaltou.
Schneider também destacou que os supermercados passaram a investir em segurança para evitar a inadimplência com este tipo de pagamento. “Hoje as lojas exigem que o consumidor faça um cadastro prévio, com todas as informações dele. Assim diminui-se a chance de calote”, explicou.
De acordo com o diretor administrativo financeiro da Rede Extrabom, Emílio Carlos Piccin, não foi percebido um aumento do valor médio dos cheques emitidos pelos consumidores.
“Não observamos isso, e, pelo contrário, acho que o uso do chamado dinheiro plástico, o cartão de crédito tem aumentado”, disse. Para ele o cartão além de mais confortável, é também mais seguro.
ANÁLISE
Arilton Teixeira
Bom momento
Acho que este resultado demonstra duas coisas interessantes: uma é que a economia brasileira está vivendo um bom momento, assim como a capixaba. Isso porque se o valor médio dos cheques está aumentando, significa que as pessoas estão tendo dinheiro para consumir mais. Outro fator que merece destaque é o fato de os Estados que estão nos primeiros lugares serem da região Norte e Nordeste (Maranhão, Amazonas e Alagoas). Na minha opinião, isso demonstra que estes consumidores ainda estão um pouco distantes da tecnologia. O cheque é algo mais perigoso, ruim até de carregar. Acho que muitas pessoas usam essa opção de pagamento por falta de opção. Grandes transações de dinheiro via cheque são muito incomuns nos grandes centros urbanos, que têm acesso a toda tecnologia das novas formas de pagamento. Acredito que o Espírito Santo entre estes Estados também demonstra uma certa disparidade no acesso aos meios tecnológicos, em relação aos outros estados da Região Sudeste.
Arilton Teixeira é economista